5 Lições de "Criatividade S.A." (Ed Catmull) para o mundo corporativo

June 7, 2024

Embora o universo corporativo e o da Pixar parecem muito distantes, ambos possuem características que se assemelham, sobretudo às empresas que buscam cultivar uma cultura de inovação duradoura. Neste artigo, vamos explorar alguns conceitos do livro Criatividade S.A. de Ed Catmull, cofundador da Pixar, e as lições aprendidas para o contexto corporativo. Acompanhe a leitura.

1. Abraçar o Risco

O medo do fracasso é um sentimento inerente ao ser humano podendo ser um dos maiores inibidores da criatividade. Ao mesmo tempo, é o medo que faz com que pessoas e empresas saiam da sua zona de conforto, quando o medo está relacionado justamente a permanecer neste lugar: presos a ideias medíocres, muitas vezes, e com medo de correr riscos.

Quando falamos em pessoas e empresas resilientes e corajosas, assumir riscos e reconhecer o fracasso é fundamental no processo de aprendizado e inovação. Encorajar sua equipe a sair da zona de conforto pode ser o primeiro passo para descobrir sua próxima ideia transformadora. Além disso, quando falamos em abraçar o risco é partindo daquele velho clichê: “coragem não é a ausência do medo, mas ir (assumir riscos) com medo mesmo”.

2. Ideias x Times

As pessoas que compõem o seu time são um dos principais ativos da sua empresa. Quando essa consciência é inexistente, as chances de se formar um time medíocre são enormes. E, segundo Ed Catmull, ideias brilhantes acabam sendo perdidas quando o time não está a altura. O contrário também é válido: quando se cria um time excepcional, as ideias mais “tolas” podem se tornar as mais ricas e inspiradoras.

Nesse sentido, é fundamental investir em entender e valorizar as potencialidades de cada indivíduo do seu time, sem, é claro, perder a prática de expô-las ao novo e diferente. Afinal, é a diversidade de pessoas e ideias que constrói uma equipe inovadora. 

3. Banco de Cérebros

A prática do "Banco de Cérebros" da Pixar é uma reunião de mentes criativas que oferecem feedbacks construtivos às ideias apresentadas. Esta prática ensina a importância de desapegar das ideias e abraçar a colaboração. Em um ambiente onde o feedback é sincero e voltado para a ideia, e não para o indivíduo, a inovação pode florescer. Cultivar essa cultura de feedback é crucial para o crescimento contínuo dos colaboradores e maturidade das soluções criadas.

4. Bebê feio x fera faminta

Este conceito é bastante presente no contexto corporativo. De um lado, temos o “bebê feio”, que aqui podemos considerar as ideias em estágios iniciais, que geralmente nascem imperfeitas, semelhantes a um bebê feio que ainda não desenvolveu suas características atraentes. Catmull argumenta que essas ideias iniciais precisam de proteção, apoio e tempo para crescer e se desenvolver, semelhante a como um bebê precisa de cuidados para crescer saudável e forte. A mensagem é que as pessoas devem resistir à tentação de julgar ou descartar ideias prematuramente, pois elas podem evoluir para algo extraordinário com o tempo e o esforço adequados.

Já a "fera faminta" simboliza as pressões externas e internas que podem ameaçar o desenvolvimento criativo de uma ideia, como prazos, expectativas de desempenho, e o medo do fracasso. Essas pressões são como uma fera que está constantemente à espreita, pronta para devorar o potencial criativo de uma ideia antes que ela tenha a chance de amadurecer. Ao mesmo tempo, a fera é importante justamente para garantir que os prazos sejam cumpridos, os resultados sejam entregues.

Esses conceitos são parte central da filosofia de Catmull sobre gestão e criatividade. Ele acredita fortemente na importância de criar um ambiente onde as ideias possam ser nutridas e protegidas dos julgamentos prematuros e das pressões externas, permitindo assim que alcancem seu potencial máximo. Isso envolve encorajar uma cultura de franqueza, onde os erros são vistos como oportunidades de aprendizado e crescimento, e não como falhas a serem evitadas a todo custo. Sendo assim, é importante que haja equilíbrio entre esses dois: uma “fera menos faminta”, capaz de proteger um “bebê feio”.

5. Pergunte-se: "O que Steve Jobs faria?"

Jobs era um inovador nato, que não temia arriscar ou desafiar o status quo. Muito menos fracassar. Esse espírito que se permitia errar, aprender e seguir em frente pavimentou o caminho para algumas das maiores inovações tecnológicas do nosso tempo. Portanto, muitas vezes se questionar "O que Steve Jobs faria?" pode inspirar uma abordagem mais ousada e inovadora para resolver problemas.

Na interseção de risco, colaboração e feedback construtivo jaz o coração da inovação. "Criatividade S.A." de Ed Catmull à primeira vista pode não ter nada a ver com o seu negócio, Mas, sem dúvidas, nos oferece um mapa para esse território inexplorado, destacando que, mesmo os "bebês feios", nas condições certas, podem crescer para mudar o mundo. As empresas que adotam esses princípios não apenas sobrevivem; elas prosperam, liderando a marcha em direção ao futuro com confiança e criatividade.