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27/5/2026

Deep Techs, BioNTech e o Futuro da Inovação: o que vem depois da IA?

Rafael Fiuzza

Sócio e Head de Inovação

O que é uma Deep Tech?

Uma startup deep tech não nasce de uma dor de mercado. Ela nasce de uma pesquisa científica. Antes de ser um negócio, ela é uma tecnologia sendo desenvolvida em laboratório ou universidade. Isso cria uma barreira de entrada altíssima: anos de pesquisa difíceis de copiar. Quem chega ao mercado praticamente não tem concorrentes.

O exemplo que resume tudo: BioNTech

A startup que criou a vacina de RNA mensageiro contra a Covid nasceu em 2008, fez seu primeiro aporte Series A em 2018 e explodiu com a parceria com a Pfizer em 2020. Foram 10 anos de bancada, financiados por recursos públicos europeus, antes de qualquer tração comercial. A pandemia abriu uma janela regulatória que poderia ter levado mais uma década em condições normais.

Alto risco, longo prazo e impacto gigantesco: esse é o jogo das deep techs.

Por que é tão difícil empreender nessa área?

Três barreiras principais dominam a conversa:

  • Tempo e capital paciente: anos de desenvolvimento sem receita, dependendo principalmente de fomento público (Finep, Embrapi, CNPq)
  • Perfil do fundador: pesquisadores excelentes tecnicamente, mas que não necessariamente querem ou sabem empreender
  • Travessia academia para mercado: uma tecnologia que funciona no lab não é automaticamente um produto que o mercado vai pagar para ter

Case real: Natura & Bioverse

A Natura precisava mapear espécies vegetais em florestas do Pará para orientar comunidades extrativistas, um processo que levaria 20 anos da forma tradicional.

A Bioverse, deep tech especializada em imagens florestais e machine learning, resolveu o problema com drones e algoritmos de identificação de espécies. Resultado: 40 mil hectares mapeados em 6 meses. O projeto rendeu à Natura o Grand Prix de Inovação em ESG no Cannes Lions, primeiro prêmio do tipo para uma empresa brasileira.

A lição do case: desde o início, ficou combinado que os algoritmos são propriedade da Bioverse e os dados do projeto são da Natura. Alinhar expectativas antes é o que separa parcerias bem-sucedidas de frustrações.

O Brasil pode virar referência em deep techs?

O país tem ingredientes raros: produção acadêmica robusta, biodiversidade única, liderança em energia renovável e uma cultura de "fazer muito com pouco" que lá fora precisa ser ensinada em cursos. O desafio é mudar como medimos o valor da pesquisa, valorizando menos a quantidade de papers publicados e mais o valor gerado para a sociedade, além de criar mais pontes entre academia e mercado.

O movimento já existe. Falta ganhar escala.

Quer o papo completo? Vale muito o tempo. Assista ao episódio no YouTube

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