
6/1/2026

Programas de aceleração são, hoje, um dos poucos mecanismos realmente capazes de encurtar a distância entre a bancada do laboratório e o mercado quando se fala de deep tech. Ao contrário de “soft techs”, onde testar e iterar é rápido e barato, deep tech nasce de ciência, exige capital intensivo, ciclos longos e uma jornada de maturação que derruba até equipes tecnicamente brilhantes. É justamente nesse ponto que programas bem desenhados deixam de ser “nice to have” e passam a ser infraestrutura crítica de inovação.
Por que deep tech precisa de aceleração
Deep techs operam num contexto em que incerteza tecnológica, regulatória e de mercado se combinam em um grau raro em outros tipos de startup. Em muitos casos, o time domina a ciência, mas não domina o caminho de negócio: modelagem de proposta de valor, timing de entrada em mercado, desenho de modelo de captura de valor e construção de tese de investimento, por exemplo. Programas específicos para deep tech ajudam a:
Sem essas pontes estruturadas, a tendência é que boa parte das tecnologias fique “presa” em papers, patentes subutilizadas ou pilotos eternos.
Arrisco a dizer que normalmente começam o ciclo empreendedor pelo fim: focam na solução primeiro, para depois entender se há de fato o problema. Muito embora, claro, haja sempre a prerrogativa metodológica de escrever em cima de alguma lacuna teórica ou uma “pergunta não respondida” no ambiente acadêmico.
O papel da mentoria empreendedora
Um dos achados mais consistentes em estudos sobre aceleração de deep tech é que quem mais gera valor para os fundadores não são apenas especialistas técnicos, mas empreendedores que já viveram o ciclo de criar, financiar, industrializar e comercializar tecnologias complexas.
Mentoria “peer to peer”, isto é, com alguém alguns anos à frente na mesma trilha, cumpre funções que consultoria tradicional não entrega:
Esse tipo de mentor reduz assimetria de informação de forma brutal. Em vez de “conteúdo genérico de empreendedorismo”, a deep tech recebe feedback aplicado ao seu contexto específico de tecnologia, indústria e TRL.
É de fato uma conversa entre pares. Quando o “idioma” é o mesmo, reduzimos ao menos uma barreira importante.
Quando pesquisadores e fundadores de deep tech têm espaço para trocar entre si surgem efeitos que dificilmente seriam produzidos apenas por conteúdo estruturado:
O exemplo do Programa Base Deep Tech
O Programa Base Deep Tech, do SENAI/RS com gestão técnica da Numerik, é um bom exemplo concreto de como esse desenho pode funcionar na prática. A iniciativa atuou em três frentes distintas, espelhando as diferentes fases da jornada deep tech:
Em todas essas etapas, a presença de mentores empreendedores à frente de deep techs fez diferença significativa
A combinação “SENAI como infraestrutura e credibilidade industrial + gestão técnica especializada + empreendedores de deep tech como mentores” cria um ambiente em que o pesquisador deixa de apenas “aprender sobre negócios” e passa a enxergar, com clareza, qual é a próxima decisão crítica e quais riscos está, de fato, correndo.
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